Vamos relembrar:
Nossa colega Juli (que será jogada no calabouço dos comentários moderados até que eu saia do período menstrual) me disse que não posso falar do corpo da Dina, porque meu corpo não é escultural, e eu não tenho o abdômen da Karina Galasso.
Bom, a parte boa foi que pesquisei sobre a Karina Galasso, da qual eu nunca tinha ouvido falar, e até gostei da dança dela. Vou pesquisar mais.
A parte ruim, e que me fez pensar é: será que somente fazendo igual ou melhor é que podemos manter um pensamento crítico?
Vamos pensar de forma secular. Um crítico de cinema precisa necessariamente ser um diretor renomado, que já dirigiu 50 filmes para fazer uma resenha ou mesmo estabelecer uma opinião sobre algum filme? É claro que não. Um analista de mercado precisa ter uma empresa de sucesso que fature bilhões de dólares por ano para emitir seu parecer sobre o cenário econômico do país? Fala sério!!!!
Na dança, e nas atividades seculares (cinema, televisão, livros, música), um crítico é, acima de tudo, um estudioso. Uma pessoa que dedica parte do seu tempo (ou, no caso dos críticos profissionais, full time job) a analisar determinada matéria à exaustão, e, com base em seu conhecimento, divulgar sua opinião sobre determinado assunto.
Mas as bailarinas de dança do ventre, que mesmo nas primeiras semanas de aula consideram a si mesmas “Divas”, só aceitam opiniões de quem julgam melhores do que si mesmas. Putz, então quem será que pode emitir opiniões isentas sobre Shahrazad, Lulu Sabongi, Hayat el Helwa, Suheil, Carlla Sillveira, Soraia Zaied, Renata Lobo, Karina Iman, Michelli Nahid? Deus?
Hoje em dia, com as ferramentas de internet, youtube, orkut, blogs mil, nos tornamos não só bailarinas, mas estudiosas de dança, e conseqüentemente, críticas. E isso não é algo ruim. A longo prazo será uma senhora evolução, porque (acredito eu, em meu mundinho de sonhos) só permanecerão no mercado serviços de alta qualidade. Porém, nossos egos de divas não estão preparados para recepcionar tanta “sinceridade”.
Quem deve mudar então? Nós devemos mudar a nós mesmas, aprender a lidar com as evoluções e construir nossa própria evolução pessoal? Ou devemos nos recolher à mediocridade porque não temos o abdômen da Karina Galasso, ou a língua afiada da nossa amiga Juli?
O que vocês acham?




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